24 de abril de 2010

Amor Incondicional de Mãe

Esse é um post que eu fiz em outro blog no ano passado, dia 29/novembro de 2009.
Tenho pensado muito nisso nas últimas semanas...
Novidades, só depois!
Bjos pra todos!

"Eu tinha um blog quando era mais nova. Uma vez eu imprimi todas os posts e mandei encadernar.
Esses dias eu olhei vários diários antigos que encontrei na casa da minha mãe.
Eu não tinha idéia de quantos eu tinha escrito. Eu nem contei quantos, mas tinha pelo menos uns 10 anos de história ali.
A juventude é muito linda. Meninas jovens são loucas (e eu me incluo nisso). Cada uma é louca a seu modo.
O assunto dos diários é basicamente amores, amigos, escola, sentimentos contraditórios, inimigos, rivais...
Eu fui uma mocinha muito comportada. Passei pelo menos 10 anos da minha vida entre casa-igreja-escola. Meu primeiro beijo foi aos 16 anos, e a primeira transa aos 21... ou 22?
Minha casa turbilhonava de idéias. Eu escrevia para um jornal do grupo de jovens, e achava que minha importância e participação no mundo eram maiores do que realmente são... O eterno egocentrismo da juventude... Depois de fazer pós graduação em terapia é que compreendo melhor a menina que eu era.

Não escondo que sinto saudade da minha juventude. E incrivelmente as coisas aconteceram 100% diferentes do que eu imaginava. Eu não imaginava muita coisa sobre o futuro, mas se fosse pensar e planejar, eu realmente teria me surpreendido muito.

Hoje sou médica, tenho dois filhos, um menino de 2 anos e meio, e uma menina com quase 4 meses. Sou obstetra tb. Trabalho com grávidas todos os dias. Todos os dias crianças nascem e formam-se novas famílias. A gente pega aqueles pedacinhos de gente todos sujinhos de fluídos do parto e não imagina o que pode acontecer dali pra frente com aquela família. No momento seguinte, estamos conversando nos corredores do hospital, comentando o capítulo da novela de ontem, o fim do namoro do fulano ou outro assunto qualquer. Coisa de médico, a gente tem que se distanciar um pouco de alguns fatos, para se envolver menos e sofrer menos...
Mas nada muda o fato que nasceu uma mãe e que dali pra frente a vida daquelas criaturas vão se misturar pra sempre.
Quem tem mãe, como eu, sabe que a vida de mãe/filho nunca se desliga. Mesmo no caso de mães ausentes, que moram longe... O coração acaba ligado sempre. A gente que é filho (e só filho) sente falta, dependência, carinho e na maior parte das vezes admiração por aquela mulher que nos gerou e nos cuidou durante tanto tempo. Mas chega uma hora que queremos caminhar pelas nossas próprias pernas, não dar mais satisfação e de repente o interesse incessante dos nossos pais passa a nos incomodar e parecer invasão, mais do que preocupação. Porque eles querem tanto nos proteger de tudo, se a gente precisa aprender a viver por nós mesmos?

Quando a gente vira mãe (não sei se é assim também quando vira pai, pois não é a minha experiência), uma sensação louca invade a gente. Um amor incondicional e um medo aterrorizador que alguma coisa saia do planejado. Isso desde a gravidez mesmo. Até sentirmos o bebê efetivamente mexer dentro de nós ficamos pensando "será que ele/a tá bem?" Até a criaturinha se mexer, parece mentira que tem um ser se formando dentro da gente.
A gravidez tem marcos, e eu digo isso não como mãe, mas também como obstetra.
Quando o exame de farmácia dá positivo, dá um frio na barriga... Será que o de sangue vai dar positivo também?
Aí o exame dá positivo... A felicidade é infinita (falo de uma gravidez desejada), vontade de sair contando pra todo mundo... Mas a gente sabe que até os 3 meses pode tudo dar errado...
São os 3 meses mais longos da gravidez... A gente não sente o bebê, a gente se sente inchada, feia, com acne, enjoada de tudo, chata e chorona... E de repente o primeiro ultrassom mostra que tem um feijãozinho crescendo dentro do útero...
Que mulher já tinha se imaginado amar um grãozinho de feijão?
Saco gestacional regular, bem implantado... Não sabemos bem o que é o que, mas o coraçãozinho tá lá, batendo a 200 por minuto! Que sensação!
O tempo passa e a gente pensa no nosso nenê, como ele ou ela vai ser... Aliás, é ELE ou ELA?
Incrível como a mulher se sente MAIS GRÁVIDA depois de saber o sexo do bebe... Já vira uma pessoinha, com nome e planos para o futuro... O enxovalzinho vai se formando aos poucos, com os presentinhos das tias, amigas e das avós...

Ah, as avós... Que sensação louca que deve ser: ser avó... Uma filha (ou filho) de repente vira mãe... Que louco isso!

Mas será que o bebê tá bem? Sei lá, grávida escuta cada história maluca de mulheres que de repente descobriram que o nenê morreu no útero e outras desgraças... BENDITO ULTRA-SOM que nos auxilia nessa angústia (ou muitas vezes nos dá o diagnóstico mais angustiante ainda). Só que com 4 ou 5 meses o bebê (que era um feijão) começa a dar o ar de sua graça e chuta nossa barriga...
Pobres dos homens que não podem ter essa vivência. Um filho se mexendo dentro da gente... Essa sensação não tem preço... E cada movimento do bebê é inconcientemente comemorado pela mãe que está se formando. Ainda que ocorra no meio da madrugada, não a deixando dormir...
Eu não vou entrar aqui nos detalhes inconvenientes da gestação (inúmeros, por sinal), pra não estragar o texto, até porque no final das contas é das coisas boas que a gente lembra!

Quando nasce o nosso bebê (e creio que não importe a via do parto), um sentimento louco nos invade. A gente ouve um chorinho LINDO (e pensamos imediatamente que teremos que conviver com ele pra sempre, graças a Deus) e nos apresentam aquela criaturinha completamente estranha e que já amamos com toda nossa força...

(Aí o obstetra vai embora... Fazer outro parto, almoçar, ler o jornal, vai no salão, na casa de uma amiga, na reunião de condomínio, sei lá...)

Um bebê assim "fresquinho" (como disse uma vez uma amiga minha) dorme bastante. Dá tempo da gente ficar olhando e pensando... Admirando... Fazendo planos... Será que ele tá respirando???? Será que não vai se engasgar??? Será que vou saber cuidar?? Puts, essa criatura depende 100% de mim!

A vida dessa criança começa ali. E incrivelmente parece que a nossa também. Uma vida totalmente nova e 0% nossa, totalmente deles...
Passei pela gravidez e parto 2 vezes... É sempre diferente, mas os sentimentos são sempre iguais - amor. Amor, amor, amor...
Penso nos meus filhos hoje sempre em primeiro lugar. E cada vez que penso neles sinto um amor tão intenso que chega a DOER no peito. Cada conquista deles é uma festa no nosso coração. E depois cada coisa banal é um prêmio para a gente.

Meu filho tem 2 anos e meio. Andou aos 9 meses, falou aos 10... Quando ele apenas fazia uns grunhidos (aos 2 meses) a gente ficava horas filmando e assistindo cada vez de novo... E depois, cada passo que ele dava, cada palavra que dizia, cada conquista nova a gente comemorava como se fosse copa do mundo. O primeiro dia na escola, aos 1 ano e meio, foi muito mais traumático para mim do que para ele. Eu inconcientemente não concebia deixar meu filho tão bebê aos cuidados de outra pessoa... Não porque achasse que ningué mais pudesse cuidar dele, mas porque achava realmente que EU que tinha que ter essa responsabilidade toda... Chorei quando ele me deu "tchau" e saiu correndo pro parquinho... Quando passou a "novidade", ele que chorava quando eu o deixava na sala de aula... E eu saia com o coração sangrando...
A gente tem que crescer junto com eles, e o crescimento como mãe também é difícil...

Hoje, cada vez que faço um parto, um filminho passa na minha mente... Um filminho do começo da vida de uma nova família.... Eu fico pensando nas noites que vão passar, nas fraldas, nas consultas com pediatras, no amor que incrivelmente cresce a cada dia... (E depois vou viver o resto do meu dia normalmente, como qualquer ser humano...)

Minha filha tem quase 4 meses. A gente acha que tá preparada quando já se é mãe... Mas cada filho é um filho... Minha pequena teve uma pequena intercorrência durante a internação no pós parto e ficou 3 dias na UTI. Passei dias e dias chorando. Que sensação de impotência ver nosso filho deitado num leito de uti, com punções e monitores por todos os lados... E isso que minha filha era saudável!! Eu olhava para os lados e via os outros bebezinhos e suas mães... Me cortava o coração. Conheci uma mãe que há 1 mês não saía do lado da filha, prematura. Ela passava os dias ali, numa cadeira, sem poder segurar o seu bebê, e ordenhando a mama com uma bombinha, para poder amamentá-la no dia em que ela pudesse e tivesse forças para sugar...
De onde vem essa força toda?
Do amor... Amor de mãe...

E depois que a gente é mãe, a gente entende tão melhor as nossas próprias mães... Minha mãe quase teve um treco quando eu, sua filhinha, grávida de 9 meses, pegou gripe A.
Sim, tive gripe A na gravidez... Tive medo das complicações, medo de deixar meus dois filhos sem mãe... Sei lá...
Quando a Manuela nasceu, e chorou rápido (o Bruno levou muitos minutos), eu me vi nascendo novamente. Mesmo já sendo mãe de um menino de 2 anos!
E aí veio um sentimento de culpa... Como eu "destronei" o meu reizinho assim tão rápido... Será que vou ter amor suficiente para os dois?
Será que consigo amar esse novo bebê como eu amo o meu Bruno?

Para minha surpresa, amo o Bruno mais ainda do que antes... Mesmo amando outro bebê também... Aprendi que o amor não se divide, se multiplica...

Ser mãe é uma coisa louca mesmo.
E ter mãe é uma bênção sem igual...
Há 5 dias minha sogra faleceu. Sem noção a dor que ainda sinto... Ela sofreu muito durante sua doença, e a existência dos netos (meus filhos) sempre a manteve com garra e força para lutar...
Ela tinha medo de não ver a Manuela nascer... Mas viu. Infelizmente viu a Manuela poucas vezes, segurou no colo pouco tempo... Uma criança que ela amou muito, mesmo antes dela existir...
No último aniversário dela, ela estava em tratamento, convalescendo depois de um transplante, numa cidade vizinha... Fizemos uma surpresa e levamos as crianças para vê-la! Ela ficou muito emocionada. Não vou me esquecer daquele dia nunca. Mas ela estava tão fraca que nem pôde curtir muito a visita...

As vezes parece mentira que ela se foi. Tão nova, tão linda, tão avó...
O velório foi um dos mais tristes para mim. Ver meu marido e meus cunhados enterrando a mãe deles, doeu (e dói) no meu coração. Eles já tinham enterrado o pai uns 11 anos antes... e agora a mãe...

Quando a Manuela fez 3 meses (exatamente no mesmo dia) ela deu a primeira gargalhada. Eu fiquei muito encantada, quase chorei... E ela gargalhou novamente. Tocou o telefone e era o Alexandre... E ela tornou a gargalhar... Ele ouviu as gargalhadas via telefone e pôde dividir o momento comigo... Que sorte! Que coincidência! Que obra de Deus!
Aos poucos ela vai interagindo mais e mais... Balbuciando, fazendo grunhidos... E eu penso na minha sogra que não pode acompanhar...

Hoje ela pegou um pedaço de papel e conseguiu passar de uma mão para outra. Ela é um bebê bem durinho, já segura muito bem a cabecinha, quer ficar de pé.... E hoje passou o papel de uma mão para outra... E depois, numa nova tentativa, ela rasgou o papel... A mãe boboca fica toda babando... Mas isso é mágico, e faz parte do amor incondicional...

Esse amor incondicional que hoje eu sei que minha mãe tem por mim! E hoje eu quero curtir e "me aproveitar" desse amor, do colo de mãe, da companhia dela, das experiências dela, enquanto ela estiver conosco e saudável..."

2 comentários:

Elisa disse...

Termino de ler o texto chorando! Lindo, emocionante e de coração. Ainda ( se Deus quiser só até o semestre que vem) não sou mãe, mas imagino o que deve ser, a imensidão do amor. E ter mãe, benção real... mesmo quando reclamamos,creio que nosso amor por elas também é incondicional! Beijos nesta linda família!

Elisa disse...

venho sempre aqui te ler... :)
que bom que achou o blog :) e sim, te devo várias visitas...rsrsrs mas a gente consegue um dia! :) beijossss