3 de abril de 2011

Profissional, Mulher e Mãe...

Gente, "milhares de anos" sem escrever e fico me perguntando porque - não deu tempo? Esqueci? Perdi a energia?


Entre outros fatores, cada vez que tinha inspiração para sentar no netbook e escrever, era interrompida por um choro, ou por um "manhêêêê" do fundo da alma. Conciliar a nossa vida própria com a dos filhos é realmente uma tarefa muito complicada.


É fato que os pais tem papel determinante na educação, criação e formação de caráter dos filhos. Sempre quis ter filhos e sempre com a idéia de que EU queria ser (junto com o pai, lógico) a principal referência deles.


Acontece comigo:


Procuro fazer xixi antes de sair do trabalho. Isso porque quando chego em casa, não sei que horas vou conseguir chegar no banheiro.
De fato, coloco a chave na porta e meus dois filhos correm para a entrada de casa, só esperando eu entrar. Abro a porta com todo cuidado do mundo para não atropelar ninguém que por ventura esteja atrás dela.


Aí, quando apareço, cada um se pendura em uma perna.
Alguém vem em seguida e retira a bolsa do meu ombro, os óculos da minha cabeça e os papéis das minhas mãos. Também precisa fechar a porta, porque a essa altura já fui imobilizada pelas minhas crias.


Daí em diante, e em todo tempo que fico em casa, tem sempre algum dos dois (ou os dois) me exigindo 100% da atenção.
Comigo eles não comem direito, nem querem escovar os dentes, e nem querem se vestir. Isso para chamar a atenção! Se os deixo um pouco sozinhos, começam a se provocar, a chorar e se "acidentar".


Culpa minha, lógico. Excesso de zêlo e mimo, tentando compensar a falta que eu faço quando não estou em casa.
Comecei também eu a sofrer. Sentindo "falta de mim mesma".


Conversando com outras mães eu vi que não sou só eu que passo por situações assim.
Mas, magicamente, seus filhos dormem cerca de 20:00 e assim existe ainda um tempinho para estudarem, lerem, verem televisão, tomarem banho, enfim, serem elas mesmas.


De acordo com pesquisa realizada pelo Ibope e publicada no Estadão Online, com as chamada Mães Contemporâneas, a maioria das brasileiras é mãe (51%). Boa parte dessas (67%) trabalha. Do total de mães, 68% consideram difícil conciliar trabalho, maternidade e casamento.


Eu? 
Noite após noite batalho a "hora de dormir" com meus filhos. Começo a tentar colocá-los na cama perto das 20:00 e só consigo êxito as 22:00... São DUAS HORAS de luta exaustiva que muitas vezes eles ganham e eu acabo adormecendo em suas camas, antes deles.


A soluçao é clara e sempre a mesma em todos os sites, programas de TV e opinião de psicopedagogos - CRIAR UMA ROTINA pra eles.
Juro que tento, mas para mim criar uma rotina é extremamente estressante, porque eu pessoalmente não tenho rotina. Aí eu vi que EU sou o problema.

Fiz uma pesquisa e compilação de dicas para resolver esse problema de conciliação entre a vida de profissional/mulher e mãe...


Dicas:


- A primeira dica é se conscientizar e aceitar, sem culpa, que você não vai e nem pode estar 100% do tempo do lado do seu filho e que realmente precisa dividir essa responsabilidade com alguém. Eu tenho algumas amigas e pacientes que pararam de trabalhar para cuidar de seus filhos e suas casas em tempo integral. E nem essas conseguem a ser onipresente na vida dos filhos. Claro que, sem dúvida elas têm mais tempo e disponibilidade do que quem trabalha fora, mas nem sempre estar presente é SER presente. Isso significa que o filho da mulher que trabalha fora não necessariamente vai se sentir mais rejeitado do que aquele cujo a mãe fica em casa.
A gente precisa dividir a responsabilidade com alguém, até pra não explodir de preOCUPAÇÃO. Além do marido, vale os avõs, os tios e, para quem pode, uma boa babá ou empregada.


- Escolha uma babá ou empregada que seja de confiança e cuide dos seus filhos MAIS OU MENOS como você quer (porque IGUAL a gente, NINGUÉM VAI FAZER)! E ligue de vez em quando, para verificar como estão as coisas em casa e falar com seus filhos!
Vale também dar umas incertas, aparecer em horários inesperados, para ver o que acontece realmente...




- As crianças que durante algum tempo ficam privados da presença dos pais devem sim ser compensadas com uma dose de atenção extra no final do dia. Só que o que importa (e isso eu aprendi na pele) é a qualidade da atenção dada. Na maior parte das vezes 30 minutos de atenção integral é melhor do que horas de atenção meia-boca...


- Quando chegar em casa, primeiro agrade seu filho, beije, brinque, converse sobre o dia dele... E depois disso comece as coisas chatas, como cobrar as tarefas, mandar escovar os dentes e ir pra cama...


Durante anos eu cheguei em casa e fiquei lendo coisas do trabalho com o Bruno no colo, ou sentando no chão com os olhos no computador, celular ou TV, meio que me dividindo entre as minhas atividades e brincando com ele. De repente, num determinado momento, eu me levantava e dizia que era hora de dormir e tentava colocá-lo na cama. Aí ele começava o rolo todo. Aí queria mamar, queria água, queria mamãe, ficava com dor de cabeça... 
Durante as próximas 2 horas as minhas energias ficavam 100% voltadas para fazê-lo dormir. Continuei com essa super estratégia durante muito tempo, até mesmo quando a Manu cresceu e começou a fazer parte desse rolo todo.
Depois de toda a encrenca, eu caía na cama, exausta e sem mais vontade de nada.


Certo dia, inconcientemente, cheguei em casa e sentei no chão da sala. A TV ficou desligada porque estávamos sem sinal do cabo.
Os dois sentaram comigo para brincar. Aí o Bruno trouxe uma caneta e ficamos desenhando em nós mesmos, fazendo tatuagens de esferográfica preta. Depois brincamos de outras coisas, até que o Bruno pediu para eu contar uma história "inventada". Inventei uma história, em conjunto com ele, que não cala a boca nunca.
Isso durou entre meia hora e 45 minutos...


Olhei para o relógio - 19:30. Enchi a banheira (que é na verdade uma piscina de plástico que eu coloco no box do banheiro) e coloquei os dois. Dei banho neles, brinquei com eles na água por uns 10 minutos.
Tirei os dois e falei - vamos dormir? O Alexandre chegou com uma mamadeira para cada um e, subitamente, os dois correram cada um pra sua cama! E tomaram a mamadeira, e escovaram os dentes e dormiram!
Aí eu pensei - caraca, é lógico! Dessa vez eles não precisaram fazer birra para ter a minha atenção completa! E todo mundo ficou feliz.

- Ensine seus filhos as coisas básicas do dia-a-dia.
As vezes parece mais rápido dar a comida na boca, vesti-los e fazer tudo por eles. Mas ensinar as crianças a fazerem essas coisas estimula a autonomia, entretem (porque vira uma parte da brincadeira) e depois nos economiza um tempão!

- Mostre-se interessada pelas coisas deles, ajude nas tarefas da escola e programe-se para não precisar faltar na reunião de pais da escola e nas festinhas de aniversário dos amigos.

Esse ano eu fiz o seguinte - eu peguei a lista de alunos das classes dos meus filhos, junto com a data de nascimento das crianças. A minha intensão é já ir comprando os presentinhos antecipadamente, para não ficar na correria em cima da hora.

- Faça um calendário com anotações e coloque em algum local bem visível, com os compromissos da família. O nosso aqui em casa fica na geladeira. Tem anotados os aniversários, os meus plantões, as aulas de pós-graduação do Alexandre, e os horários de aulas extra-curriculares das crianças. Além de reuniões, consultas médicas, etc. Organização é tudo na hora de não perder nada e não se apertar em cima da hora. Na porta da minha geladeira eu tenho sempre o mês atual e o próximo, assim eu consigo atencipar os problemas e soluções.
Também tenho um papel de observação que indica cada dia quem leva e quem busca as crianças na escola. Para ninguém ficar em dúvida!

- Falando nisso, sempre que puderem, os PAIS devem levar e buscar seus filhos na escola. Isso foi um conselho dado por uma professora do meu filho, que é psicopedagoga. Ela disse que a criança se sente mais confiante e "especial" pela essa atenção extra dada pelos pais.

- Manter a disciplina é fundamental. A criança tem que entender que cada um tem seu papel, que mamãe e papai trabalham e não é por isso que ela pode deitar e rolar quando os pais chegam. Cada um tem seu espaço, sua cama, seu prato, etc, e suas tarefas a fazer.

- Mas ainda acho que o mais difícil é a gente se controlar para não ficar permissivo demais, mimando demais e superprotegendo... Porque se dependesse da gente, nossos pequenos seriam sim, o centro do mundo...

Alguém tem mais dicas para dar? Estou aberta a opiniões!

5 comentários:

Ju Schwambach disse...

Que post ótimo!!!! Amei tudo que li... e aprendi muito tbm.
Espero que no dia que for mãe seja amável, prática e sensata como vc viu ;)...
Bjosss

Alexandre disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Alexandre disse...

Realmente não é fácil! Se pras mulheres é difícil, imagina pros homens.. Hehehe...

Anônimo disse...

Adorei! Também leio sites de dicas para novas mamães! Se eu lembrar de alguma dica nova posto pra ti! Bju!
Mariana

Anônimo disse...

Ups, saiu como anônimo pq não loguei, to no trabalho. Bju! Mariana